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o bairro

Como a Baixa foi reconstruída depois de 1755, e porque é que a sua grelha urbana se presta a um passeio gastronómico

O terramoto, o Marquês de Pombal e as praças em cada extremo do seu percurso.

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A Baixa em datas

DataO que aconteceu
1 de novembro de 1755Um terramoto, um tsunami e um incêndio destroem a maior parte de Lisboa, incluindo o Palácio da Ribeira
Desde 1755O Marquês de Pombal ordena a reconstrução; a Baixa ganha o seu traçado em grelha
1873É concluído o Arco da Rua Augusta, na Praça do Comércio
1886O monumento aos Restauradores é erguido na Praça dos Restauradores
2004A Baixa Pombalina é incluída na lista indicativa de Portugal para Património Mundial

1 de novembro de 1755

O Grande Terramoto de Lisboa ocorreu a 1 de novembro de 1755. Seguiu-se-lhe um tsunami e um incêndio que, em conjunto, destruíram a maior parte da cidade. Entre as perdas contava-se o Paço da Ribeira, a residência do rei junto ao Tejo, que se erguia onde hoje fica a Praça do Comércio. O antigo nome da praça, Terreiro do Paço, significa ainda hoje Pátio do Palácio. A destruição é o ponto de partida para tudo o que se descobre num passeio pela Baixa, porque o bairro que o guia percorre consigo é precisamente o que a substituiu.

O mandato do Marquês de Pombal

O Marquês de Pombal foi primeiro-ministro do rei D. José I entre 1750 e 1777 e assumiu a liderança da reconstrução de Lisboa. Impôs condições rigorosas, e o plano que daí resultou difere radicalmente do traçado orgânico das ruas que a Baixa tinha antes do terramoto. O bairro deve-lhe o nome: a Baixa Pombalina. As suas ruas retas sobem do rio em direção ao Rossio, à Praça da Figueira e à Avenida da Liberdade, e é por isso que um passeio da Praça do Comércio à Praça dos Restauradores segue uma linha quase direta.

Edifícios feitos para resistir

A Baixa Pombalina é um dos primeiros exemplos de construção antissísmica. Os modelos arquitetónicos eram testados fazendo tropas marchar em seu redor para simular um sismo. Entre os elementos que tornam estes edifícios notáveis está a gaiola pombalina, uma estrutura simétrica de madeira concebida para dispersar a força de um tremor, e as paredes entre prédios construídas mais altas do que as vigas do telhado, para que o fogo não pudesse saltar de uma casa para a seguinte. Quando para numa das ruas da quadrícula para comer um petisco, está em frente de fachadas construídas segundo este modelo.

As praças em cada extremidade

A Praça do Comércio foi remodelada após o terramoto como uma grande praça retangular em forma de U, aberta ao Tejo, concebida sob o Marquês de Pombal pelo arquiteto Eugénio dos Santos. Os pisos térreos dos edifícios em volta têm galerias, e duas torres marcam as extremidades dos braços. Muitos dos ministérios do Estado português aí funcionaram, e o Supremo Tribunal de Justiça ainda lá está. O Arco da Rua Augusta, um arco triunfal desenhado por Santos de Carvalho, só ficou concluído em 1873. Na outra extremidade da Baixa, a Praça dos Restauradores homenageia a restauração da independência em 1640, após sessenta anos sob domínio espanhol; o seu obelisco foi erguido em 1886.

Porque é que a quadrícula é ideal para comer a pé

Uma quadrícula torna um passeio de degustação simples. As ruas cruzam-se em ângulo reto, as paragens do percurso ficam em ruas com nome e um guia pode conduzir um grupo de um balcão ao seguinte sem mapa. O itinerário do passeio pela Baixa corre entre as duas praças, com a Rua dos Fanqueiros, a Rua da Vitória e a Rua da Madalena como paragens do percurso. As ruas do percurso situam-se no bairro reconstruído depois de 1755 e em seu redor, por isso a história não é uma lição à parte, mas o chão que pisa.

O que observar entre dentadas

Olhe para cima. Os edifícios da Baixa são uniformes em altura e ritmo, resultado deliberado do planeamento, e os arcadas da Praça do Comércio são o exemplo mais claro. Repare nas calçadas, dispostas em padrões sob os terraços dos cafés. Procure os ex-libris do bairro: a Praça do Comércio, o Rossio, a Praça da Figueira e a Praça dos Restauradores. E se o guia lhe apontar a Igreja de São Domingos, está a olhar para um dos pontos de referência do percurso.

Um bairro na lista candidata a Património Mundial

A Baixa Pombalina foi incluída na lista indicativa de Portugal de potenciais Sítios do Património Mundial a 7 de dezembro de 2004. A candidatura defende que o bairro é superior às áreas planeadas de Edimburgo, Turim e Londres, e salienta que os planos elaborados para reconstruir Londres após o Grande Incêndio de 1666 não aplicaram princípios globais do tipo dos alcançados na Baixa Pombalina. Uma lista indicativa é apenas um primeiro passo, mas explica por que motivo a quadrícula é tratada como mais do que um simples traçado urbano: é um dos primeiros exemplos de construção antissísmica.

Onde passear depois

O percurso termina na Praça dos Restauradores, no extremo sudeste da Avenida da Liberdade, um boulevard arborizado conhecido pelas suas alfaiatarias e cafés. A praça está rodeada de edifícios dos séculos XIX e início do século XX. Os mais notáveis são o Palácio Foz, construído entre os séculos XVIII e XIX e com interiores ricamente decorados, e o antigo Cinema Éden, hoje um hotel, com uma fachada Art Déco dos anos 30 da autoria do arquiteto Cassiano Branco. O Rossio e a Praça da Figueira ficam a curta distância, descendo a quadrícula, pelo que um passeio pós-visita pode percorrer o bairro no sentido inverso.

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